Aumento
da frequência cardíaca, falta de apetite, dor de cabeça, náusea,
vômitos, dificuldade para respirar, sangramento do nariz. Parecem
sintomas de algum filme de ficção sobre zumbis, mas são efeitos
possíveis em pessoas que viajam de altitudes baixas para lugares
montanhosos. Todas essas sensações surgem apenas em locais que estão a
pelo menos 2.300 metros acima do nível do mar. A pressão atmosférica é
menor. Isso deixa o ar mais rarefeito e menos oxigênio circula. Quanto
mais alto, pior: alpinistas profissionais, por exemplo, correm o risco
de sofrer edemas pulmonar ou cerebral ao tentar escalar o Everest, que
tem quase 9 mil metros de altitude Arquivo pessoal de Karina Oliani/UOL
Aumento da frequência cardíaca, falta de apetite, dor de cabeça,
náusea, vômitos, dificuldade para respirar, sangramento do nariz.
Parecem sintomas de algum filme de ficção sobre zumbis, mas são efeitos
possíveis em pessoas que viajam de altitudes baixas para lugares
montanhosos.
Todas essas sensações surgem apenas em locais que estão a pelo menos
2.300 metros acima do nível do mar. A pressão atmosférica é menor. Isso
deixa o ar mais rarefeito e menos oxigênio circula. Quanto mais alto,
pior: alpinistas profissionais, por exemplo, correm o risco de sofrer
edemas pulmonar ou cerebral ao tentar escalar o Everest, que tem quase 9
mil metros de altitude.
Os sintomas geralmente começam 4 horas depois de alcançar os 2.300
metros. O coração se acelera à toa. Sinal de que o organismo está
fazendo um esforço extra para continuar captando o oxigênio que sempre
esteve acostumado a absorver.
A partir daí, o pulmão começa a trabalhar mais. E aí vem a falta de ar:
por mais que as inspirações preencham todo o órgão, a sensação é que é
preciso ter uma caixa torácica maior para tentar captar todo o oxigênio.
Nas horas seguintes, outros desconfortos podem surgir. Para alguns, é
preciso passar até duas semanas nesse ambiente para adaptar-se
totalmente.
A boa notícia é que nem todo mundo sente o mal das montanhas. A má
notícia é que não é possível prever quem vai passar mal. No entanto,
fumantes, asmáticos, sedentários, pessoas com problemas cardíacos,
cardiovasculares e respiratórios podem sofrer mais. De qualquer forma, é
possível se preparar com antecedência para tentar minimizar os efeitos.
Prepare-se para subir
Meses antes da viagem, a dica é tentar melhorar ao máximo o
condicionamento físico. Exercícios aeróbicos ampliam as capacidades
cardíaca e pulmonar. Com o coração e pulmão funcionando bem, eles
realizam melhor a troca de oxigênio por gás carbônico no organismo.
Uma semana antes de partir, o ideal é fazer uma dieta para suplementar o
ferro. O mineral é um dos ingredientes essenciais para a produção de
hemoglobina. Com mais glóbulos vermelhos circulando no organismo, a
troca de gás carbônico por oxigênio é mais eficiente. Vale comer bife de
fígado, folhas verdes escuras (como agrião, rúcula, mostarda, couve),
feijão... Alie a ingestão de alimentos ricos em ferro com outros ricos
em vitamina C. Com a vitamina, a absorção do mineral é mais garantida.
Subir gradativamente é outra medida que pode resolver os problemas.
Conhecer cidades mais baixas antes de chegar ao destino final que fica
em uma altitude maior é ideal para o organismo se adaptar aos poucos.
Já no alto, vale a pena trocar comidas gordurosas por alimentos ricos
em carboidrato. O organismo recebe mais energia com o carboidrato e
trabalha muito menos para digerir a gordura. Também é preciso evitar
exercícios de intensidade para não sobrecarregar os órgãos que já estão
trabalhando na intensidade máxima.
Caminho de volta
Quem sempre viveu em lugares de baixa altitude e passa mal na montanha
costuma se recuperar já no momento em que retorna ao local mais baixo. E
quem está acostumado a viver na montanha geralmente não sente
desconforto ao viajar para a praia, por exemplo.
Reza a lenda que quem vive no ar rarefeito ganha vantagem física ao
praticar esportes em locais de altitude baixa. Isso não acontece: mesmo
com a maior oferta de oxigênio, o organismo só vai absorver a quantidade
necessária, nada além que o torne um super-homem. Até mesmo quem nasceu
e praticou esportes nas montanhas pode sentir os efeitos da altitude ao
retornar para casa após passar meses na praia, por exemplo.